quarta-feira, 29 de junho de 2011

Dois pijamas

Construir é sempre difícil. Em dois, é mais. Porém, a tentativa é importante. Aos 23 anos você não sabe muita coisa. Mas talvez ache que sabe tudo. Então dá sequencia a uma caminhada sem olhar pra trás, para os lados. A paixão arrebatadora te leva a seguir de mãos dadas. Juntos, os planos. Depois de um tempo, a cobrança para que eles se concretizem. A auto-cobrança.

Antes de ser tudo embaixo do mesmo teto, vamos arrumar esse tudo, certo? Do nosso jeito, com a nossa cara, no nosso tempo. Arruma aqui, arruma ali. Obra sempre dá errado. Não é mandinga, olho gordo, trabalho, é sim, obra.

E que obra. Pó, fuligem, aromas fortes, buracos, barulhos, entulhos. Tudo numa coisa só. Meses, talvez ano. Tá pronto? O que falta? Vista grossa. Detalhes bobos. Tudo vira perfeito.
Alguns armários. Mudança. Mudança? Só se for de planos. Ops.

Não é a hora, não está na hora, a casa é nossa, mas pode ficar um pouco só. Só, sozinha. Conversa com a vizinha, conhece o zelador, resolve uns pepinos, que eu tô chegando. Manobra o carro do lado, vira de lado que ainda há espaço, bebe umas por aí, que eu tô chegando. Convida prum brunch, assa uma carne, descobre um tempero, que eu tô chegando. Estende a roupa, estica a cama, leva meus dois pijamas, que eu tô chegando. Organiza o armário, veja o cabide na loja do lado, passa pano no terraço, que eu tô chegando. Bi-bi! Tô chegando. Trim-trim, tô deixando. Silêncio.

Passa o trinco. Tira o fone do gancho. Naquele lar jaz: um amor de década. Passado. Boiou. Ninguém mais se ama. Só sobraram os dois pijamas.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

apitos

agora aqui no brooklin o que mais se ouve são os apitos dos guardinhas ao longe.
o trânsito que se formava aqui na frente sumiu, mas foi pra algum lugar. menos barulho, menos vagas. damos o braço a torcer?

missão
como resolver a vida a dois?

segunda-feira, 13 de julho de 2009

por 8 fios

Nestes cinco meses o que mais ouvi foi: "você teve muita sorte". Parei para pensar diversas vezes o que seria esta tal sorte tão citada. Descobri que a sorte recebida e agarrada com todas as forças foi a de poder continuar a minha vida do jeito que ela sempre foi. Sim. Eu pude ter a sorte de continuar a traçar minha vida do jeito que imaginava que ela seria. Por muito pouco, pouco mesmo eu poderia ter todo o meu percurso mudado, meus sonhos adiados, minha vida totalmente modificada. Parei só por alguns meses e tive a chance de valorizar tudo o que tenho, tudo que posso fazer, olhar para trás e agradecer.

Sempre tive dificuldade em acreditar em Deus. Minha família vive este dilema há muitos anos. Desde que duas pessoas muito importantes para nós foram embora muito cedo – com 50 e poucos anos – é que alguns passaram a não acreditar muito nesta justiça divina. Mas, acredito que comigo ele foi justo. Acho que não merecia ser tetraplégica aos 27 anos.

Hoje é um dia importante. Comum, certo. Mas foi o último dia da minha fisioterapia. Liberada pelo médico, um anjo que apareceu na minha vida, Dr. Jefferson Alves Galves, e pelos queridos fisioterapeutas que me aguentaram por cinco meses, Sabrine e Rodrigo, do H. São Luiz, pude ter meu momento de alegria renovada, abraçar a todos que me ajudaram muito todo este tempo e mais uma vez agradecer. Desta vez pessoas de carne e osso, profissionais competentíssimos que me apoiaram por todos estes longos meses de recuperação.

:: Agradeço, saio pela mesma porta de sempre. Talvez pela última vez. Pelo menos com aquele sentimento. Tudo é branco, limpo. No elevador as pessoas dizem bom dia. Seguram a porta, são prestativas. Subo três andares. Tudo parece se abrir para que eu saia, tranquila. Atravesso a porta de vidro, digo bom dia ao segurança. Paro. Era o meu médico. Será? Estava conversando com uma paciente. Com o dreno, o carrinho do soro, ela, sentada, ouvia as instruções. Cumprimentei. Ele abriu um grande sorriso. Virou-se para mim e disse a ela: "a Mariana também fez uma cirurgia na cervical, olha como ela está bem!" Eu olhei a menina sentada, parecia que estava me vendo ali. Aliviada confirmei: "como estou bem!" Ele abriu outro grande sorriso. Me despedi. Virei com os olhos mareados. Atravessei o portão verde. O sol bateu no meu rosto. Valorizei aquela caminhada como nenhuma outra na minha vida. Acho que foi a mais bonita que já fiz.

sábado, 4 de abril de 2009

amigos

tão bom receber o retorno dos verdadeiros amigos. Têm situações inexplicáveis mesmo, mas que não sei da onde tiro forças para continuar igual. E algumas pessoas dizem: "sua força é um exemplo que vou seguir para o resto da minha vida".

Amém!

Um bebê

Hoje pensei muito nela, será que a Lia está chegando?

rosa, menina rosa

Canção do dia de sempre

Mario Quintana

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

sexta-feira, 27 de março de 2009

um segundo

Uma manhã de segunda-feira e Nina saiu para ir trabalhar. De carona para chegar mais cedo. 1 quilômetro e um carro verde musgo pela frente. Uma parada brusca, um toque no carro, uns ligamentos a menos.
Nada aparente, trabalho normal, dia corrido. É noite e tudo mudou. A dor chega, a conversa cessa, a cabeça só olha pra baixo. Hospital. Exames. Suspeita de cirurgia. Confirmação. Tudo é muito rápido, tudo é estranho, o mundo se reduz a pouco, quase nada. Choro. Tudo que tinha para fazer já não é possível, a cabeça voa para acompanhar os pensamentos.
Ali aquilo é rotina e acabou-se a rotina de Nina. Sem explicação dos motivos, sem entender o por quê. Primeira anestesia, primeira cirurgia, primeiro corte de mais de 1 cm...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

geração

:: Hoje faz um mês que ela fez aniversário. Saudades. Acho que às vezes deveria ligar mais, conversar, dar aquelas belas risadas. Bom, mas logo estaremos juntas e com várias histórias para colocar em dia.

:: Nina hoje foi almoçar e sentou num "lugar de pista". Como a de quem tenho saudades diria. Ficamos de frente para tudo, observando quem passava na rua. Adoro isso! Quem não gosta? Duvido.

:: Hoje Nina teve uma prova da bondade humana logo às 7h15 da manhã. Farmácia. Weber. Data do receituário avançada e a farmacêutica japonesa simpática do bairro aceitou a compra. Alegria contida. Agradecimento estampado com um muito obrigada. Ainda bem que ainda tem farmácia de bairro. Sabe? Às vezes as paulistaníssimas coisas levadas a risca são muito chatas e cansativas. Mas hoje Nina sentiu que tudo tomou um ar de romantismo do interior.