agora aqui no brooklin o que mais se ouve são os apitos dos guardinhas ao longe.
o trânsito que se formava aqui na frente sumiu, mas foi pra algum lugar. menos barulho, menos vagas. damos o braço a torcer?
missão
como resolver a vida a dois?
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
segunda-feira, 13 de julho de 2009
por 8 fios
Nestes cinco meses o que mais ouvi foi: "você teve muita sorte". Parei para pensar diversas vezes o que seria esta tal sorte tão citada. Descobri que a sorte recebida e agarrada com todas as forças foi a de poder continuar a minha vida do jeito que ela sempre foi. Sim. Eu pude ter a sorte de continuar a traçar minha vida do jeito que imaginava que ela seria. Por muito pouco, pouco mesmo eu poderia ter todo o meu percurso mudado, meus sonhos adiados, minha vida totalmente modificada. Parei só por alguns meses e tive a chance de valorizar tudo o que tenho, tudo que posso fazer, olhar para trás e agradecer.
Sempre tive dificuldade em acreditar em Deus. Minha família vive este dilema há muitos anos. Desde que duas pessoas muito importantes para nós foram embora muito cedo – com 50 e poucos anos – é que alguns passaram a não acreditar muito nesta justiça divina. Mas, acredito que comigo ele foi justo. Acho que não merecia ser tetraplégica aos 27 anos.
Hoje é um dia importante. Comum, certo. Mas foi o último dia da minha fisioterapia. Liberada pelo médico, um anjo que apareceu na minha vida, Dr. Jefferson Alves Galves, e pelos queridos fisioterapeutas que me aguentaram por cinco meses, Sabrine e Rodrigo, do H. São Luiz, pude ter meu momento de alegria renovada, abraçar a todos que me ajudaram muito todo este tempo e mais uma vez agradecer. Desta vez pessoas de carne e osso, profissionais competentíssimos que me apoiaram por todos estes longos meses de recuperação.
:: Agradeço, saio pela mesma porta de sempre. Talvez pela última vez. Pelo menos com aquele sentimento. Tudo é branco, limpo. No elevador as pessoas dizem bom dia. Seguram a porta, são prestativas. Subo três andares. Tudo parece se abrir para que eu saia, tranquila. Atravesso a porta de vidro, digo bom dia ao segurança. Paro. Era o meu médico. Será? Estava conversando com uma paciente. Com o dreno, o carrinho do soro, ela, sentada, ouvia as instruções. Cumprimentei. Ele abriu um grande sorriso. Virou-se para mim e disse a ela: "a Mariana também fez uma cirurgia na cervical, olha como ela está bem!" Eu olhei a menina sentada, parecia que estava me vendo ali. Aliviada confirmei: "como estou bem!" Ele abriu outro grande sorriso. Me despedi. Virei com os olhos mareados. Atravessei o portão verde. O sol bateu no meu rosto. Valorizei aquela caminhada como nenhuma outra na minha vida. Acho que foi a mais bonita que já fiz.
Sempre tive dificuldade em acreditar em Deus. Minha família vive este dilema há muitos anos. Desde que duas pessoas muito importantes para nós foram embora muito cedo – com 50 e poucos anos – é que alguns passaram a não acreditar muito nesta justiça divina. Mas, acredito que comigo ele foi justo. Acho que não merecia ser tetraplégica aos 27 anos.
Hoje é um dia importante. Comum, certo. Mas foi o último dia da minha fisioterapia. Liberada pelo médico, um anjo que apareceu na minha vida, Dr. Jefferson Alves Galves, e pelos queridos fisioterapeutas que me aguentaram por cinco meses, Sabrine e Rodrigo, do H. São Luiz, pude ter meu momento de alegria renovada, abraçar a todos que me ajudaram muito todo este tempo e mais uma vez agradecer. Desta vez pessoas de carne e osso, profissionais competentíssimos que me apoiaram por todos estes longos meses de recuperação.
:: Agradeço, saio pela mesma porta de sempre. Talvez pela última vez. Pelo menos com aquele sentimento. Tudo é branco, limpo. No elevador as pessoas dizem bom dia. Seguram a porta, são prestativas. Subo três andares. Tudo parece se abrir para que eu saia, tranquila. Atravesso a porta de vidro, digo bom dia ao segurança. Paro. Era o meu médico. Será? Estava conversando com uma paciente. Com o dreno, o carrinho do soro, ela, sentada, ouvia as instruções. Cumprimentei. Ele abriu um grande sorriso. Virou-se para mim e disse a ela: "a Mariana também fez uma cirurgia na cervical, olha como ela está bem!" Eu olhei a menina sentada, parecia que estava me vendo ali. Aliviada confirmei: "como estou bem!" Ele abriu outro grande sorriso. Me despedi. Virei com os olhos mareados. Atravessei o portão verde. O sol bateu no meu rosto. Valorizei aquela caminhada como nenhuma outra na minha vida. Acho que foi a mais bonita que já fiz.
sábado, 4 de abril de 2009
amigos
tão bom receber o retorno dos verdadeiros amigos. Têm situações inexplicáveis mesmo, mas que não sei da onde tiro forças para continuar igual. E algumas pessoas dizem: "sua força é um exemplo que vou seguir para o resto da minha vida".
Amém!
Um bebê
Hoje pensei muito nela, será que a Lia está chegando?
Amém!
Um bebê
Hoje pensei muito nela, será que a Lia está chegando?
rosa, menina rosa
Canção do dia de sempre
Mario Quintana
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Mario Quintana
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
sexta-feira, 27 de março de 2009
um segundo
Uma manhã de segunda-feira e Nina saiu para ir trabalhar. De carona para chegar mais cedo. 1 quilômetro e um carro verde musgo pela frente. Uma parada brusca, um toque no carro, uns ligamentos a menos.
Nada aparente, trabalho normal, dia corrido. É noite e tudo mudou. A dor chega, a conversa cessa, a cabeça só olha pra baixo. Hospital. Exames. Suspeita de cirurgia. Confirmação. Tudo é muito rápido, tudo é estranho, o mundo se reduz a pouco, quase nada. Choro. Tudo que tinha para fazer já não é possível, a cabeça voa para acompanhar os pensamentos.
Ali aquilo é rotina e acabou-se a rotina de Nina. Sem explicação dos motivos, sem entender o por quê. Primeira anestesia, primeira cirurgia, primeiro corte de mais de 1 cm...
Nada aparente, trabalho normal, dia corrido. É noite e tudo mudou. A dor chega, a conversa cessa, a cabeça só olha pra baixo. Hospital. Exames. Suspeita de cirurgia. Confirmação. Tudo é muito rápido, tudo é estranho, o mundo se reduz a pouco, quase nada. Choro. Tudo que tinha para fazer já não é possível, a cabeça voa para acompanhar os pensamentos.
Ali aquilo é rotina e acabou-se a rotina de Nina. Sem explicação dos motivos, sem entender o por quê. Primeira anestesia, primeira cirurgia, primeiro corte de mais de 1 cm...
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