Antes de ser tudo embaixo do mesmo teto, vamos arrumar esse tudo, certo? Do nosso jeito, com a nossa cara, no nosso tempo. Arruma aqui, arruma ali. Obra sempre dá errado. Não é mandinga, olho gordo, trabalho, é sim, obra.
E que obra. Pó, fuligem, aromas fortes, buracos, barulhos, entulhos. Tudo numa coisa só. Meses, talvez ano. Tá pronto? O que falta? Vista grossa. Detalhes bobos. Tudo vira perfeito.
Alguns armários. Mudança. Mudança? Só se for de planos. Ops.
Não é a hora, não está na hora, a casa é nossa, mas pode ficar um pouco só. Só, sozinha. Conversa com a vizinha, conhece o zelador, resolve uns pepinos, que eu tô chegando. Manobra o carro do lado, vira de lado que ainda há espaço, bebe umas por aí, que eu tô chegando. Convida prum brunch, assa uma carne, descobre um tempero, que eu tô chegando. Estende a roupa, estica a cama, leva meus dois pijamas, que eu tô chegando. Organiza o armário, veja o cabide na loja do lado, passa pano no terraço, que eu tô chegando. Bi-bi! Tô chegando. Trim-trim, tô deixando. Silêncio.
Passa o trinco. Tira o fone do gancho. Naquele lar jaz: um amor de década. Passado. Boiou. Ninguém mais se ama. Só sobraram os dois pijamas.
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